Taís Araujo diz que filhos sofreram racismo e destaca importância da representatividade

A atriz disse que ela e o marido, Lázaro Ramos, 42, procuram encher as duas crianças de referências e cultura negra para que eles possam "criar estofo" ao lidar com o tema.


Por Folhapress Publicado 09/03/2021
Ouvir: 00:00
Taís Araujo diz que filhos sofreram racismo e destaca importância da representatividade
A atriz disse que ela e o marido, Lázaro Ramos, 42, procuram encher as duas crianças de referências e cultura negra para que eles possam “criar estofo” ao lidar com o tema. – Foto: Zô Guimarães/Folhapress

Taís Araujo, 42, afirmou que seus filhos já foram vítimas de racismo. A declaração foi dada, na noite desta segunda (8), em entrevista ao programa Roda Viva, da Cultura. A atriz disse que ela e o marido, Lázaro Ramos, 42, procuram encher as duas crianças de referências e cultura negra para que eles possam “criar estofo” ao lidar com o tema.


Ao abordar o assunto, Taís contou que o filho mais velho, João Vicente, 11, já até a ajudou em um episódio de racismo que aconteceu com a caçula, Maria Antônia, 6.


“A minha filha já veio falando para mim que um amiguinho riu do cabelo dela, falou do cabelo dela. Aliás, essa história é linda. Ela veio me puxar para me contar: ‘Mãe, eu quero falar uma coisa para você.’ Meu filho passou, acho que ouviu e jogou um livro sobre cabelo para mim enquanto ela estava me contando -lá em casa tem muito livro infantil com temática negra. Ele me socorreu. Achei muito bonito deles dois”, disse.


A atriz disse também que demorou para aceitar o fato de ser uma referência para crianças e mulheres negras, mas que hoje considera esse papel muito importante e prazeroso. “Ainda mais porque eu sou mãe de uma menina negra, então, eu quero que ela tenha estofo”, completou.


Taís lembrou que quando era criança e adolescente não tinha referências de mulheres negras na TV. “[Se me perguntam] Quem era a sua referência negra no momento? Eu caio num vazio, inexistente. Eu posso te falar do que eu via na TV, via a Simony, depois a Xuxa, a Angélica, muito distantes de mim, obviamente. E tem essa lacuna aí mesmo na minha formação, que sigo correndo atrás para a minha construção enquanto mulher, enquanto mulher negra.”


A atriz Zezé Motta, 76, era um dos exemplos que ela afirmou seguir, mas, ainda assim, existia uma diferença de idade grande. “O sentido da representatividade é só você se sentir possível, e a gente só sente possível com o que a gente enxerga. O que a gente não enxerga a gente desconhece e não se acha possível naquele lugar. Acho importante os autores hoje estarem atentos e alertas a isso, porque acho sim que a dramaturgia e a televisão podem ser responsáveis nesse sentido. Aliás, acho que devem ser responsáveis.”


A falta de pessoas negras no seu convívio também se mostrou presente quando a atriz contra que se mudou do Méier, bairro na zona norte do Rio, para a Barra da Tijuca, área nobre na cidade.


“Eu era a única negra daquele condomínio, uma das únicas negras do colégio. Se a gente contar a escola inteira, não enche uma mão a quantidade de alunos negros”, afirmou.


Taís lembrou ainda que quando começou a trabalhar como modelo a indústria cosmética não produzia produtos para os diferentes tipos de pele negra. “Existiam duas cores de base: ou eu ficava cinza ou ficava vermelha […] A gente não existia.” Segundo ela, que apresenta o programa Superbonita no GNT, isso mudou nos últimos anos. “O mundo melhorou muito, a gente existe hoje para as indústrias de cosmético.”