Nintendo vai a evento de games e acende bafafá sobre possível retorno ao Brasil

A empresa vem dando sinais de reaproximação. Em junho do ano passado, sem fazer alarde, lançou uma loja online direcionada ao público brasileiro.


Por Folhapress Publicado 10/10/2019
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Reprodução (Divulgação)

Entre os apreciadores de videogames, há quem prefira Mario, Link, Pikachu e adjacências a todo o resto. Os que professam tal fetiche costumam ganhar a alcunha de “nintendista”.

O problema é que, desde  2015, a fabricante japonesa deixou de ter distribuição oficial no Brasil. Na época, a Nintendo afirmou que “desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição no país insustentável”.

Não ter distribuição oficial no país significa que os produtos por aqui tendem a ficar mais caros. Promoções e ações específicas para o consumidor brasileiro ficam escassas, senão inexistentes.

Caso os miúdos lusófonos queiram configurar o ecrã da consola, deverão estar familiarizados com o português europeu, já que a interface do usuário não tem entre as opções de idioma a língua de Camões de cá deste lado da linha do Equador.

Além disso, a fabricante não tem títulos do Nintendo Switch em português brasileiro. Até jogos anteriores ao console, como Mario Kart 8, só existem em versões em português lusitano. 

Já games não exclusivos, como “Fifa” e “Mortal Kombat”, podem ser jogados em português brasileiro no Switch. “Não há um preocupação da Nintendo em localizar esses jogos aqui para o Brasil. Se você pega um jogo recém-lançado pela Sony ou Microsoft, ele já vem em português brasileiro”, diz Wagner Wakka, jornalista especializado em games. 

Aos poucos, porém, a empresa vem dando sinais de reaproximação. Em junho do ano passado, sem fazer alarde, lançou uma loja online direcionada ao público brasileiro. Em outubro, lançou cartões pré-pagos para jogos de Switch.

E agora, depois de sete anos sem dar as caras como exibidora, a fabricante está com um estande de mil metros quadrado na BGS (Brasil Game Show), feira de jogos eletrônicos que se autoriza como a maior da América Latina.

No ano passado, chegou a ter uma participação tímida, sem estande -somente patrocinou um concurso de cosplay-, o que já foi suficiente para esquentar rumores de uma possível volta ao país.

Seus concorrentes Xbox e PlayStation também estão na BGS, que reúne num mesmo local as três grandes fabricantes de console. “Conseguimos o que a E3 não teve”, orgulha-se Marcelo Tavares, fundador da BGS.

A E3 (Electronic Entertainment Expo) é a uma das maiores feiras de games do mundo, que acontece nos Estados Unidos. Só que no caso americano, foi a Sony que não apareceu em 2019. Já a Nintendo esteve em todas as edições desde 1995.

Quando questionada pela reportagem sobre planos para um volta oficial ao Brasil, a empresa diz: “Os fãs brasileiros são muito importantes para nós e continuaremos a ver o país como uma oportunidade de surpreender, deleitar e colocar um sorriso no rosto das pessoas”.

Uma introdução açucarada para em seguida afirmar que não tem “nada de novo para anunciar no momento sobre este tópico”. Os nintendistas brasileiros não se dão por vencidos. Foi criada uma petição que conta com pelo menos 62 mil assinaturas clamando pela volta da distribuição oficial.

Acompanha a petição um lyric video que provoca emojis de coração nos comentários no YouTube, com uma versão da canção pop “Happier”, do DJ Marshmello,com os versos: “Não dá pra esquecer, quando era mais fácil/ jogar pra valer/ e agora os custos impedem/ que o nosso país seja feliz”.