29 de março de 2020

Inventar brincadeiras com crianças é saída em isolamento por coronavírus

O melhor remédio é se encher de inspiração, criatividade e paciência para rechear estas férias estranhas com atividades que andavam fora de moda.


Por Folhapress Publicado 18/03/2020
Reprodução (Pixabay)

Os memes até nos fazem rir do confinamento em casa com crianças, mas os pais sabem que precisam se preparar para a verdadeira guerra que será esse dia a dia.

Em um primeiro momento, celulares, videogames, tablets e televisão acabam virando as babás eletrônicas, mas deixar que a tecnologia contamine por completo a quarentena do coronavírus pode agravar a ansiedade inevitável da criançada nestes tempos incertos.

O melhor remédio é se encher de inspiração, criatividade e paciência para rechear estas férias estranhas com atividades que andavam fora de moda.

A psicóloga Rosely Sayão sugere transformar em brincadeira até afazeres corriqueiros do isolamento, como as refeições. Brincar de pizzaria, cantina italiana, com as crianças sendo garçons, clientes, chefs de cozinha.

O lanchinho da tarde pode ser na cabaninha montada com lençóis na sala. E a música fica por conta de instrumentos construídos com sucata. Que tal redecorar a casa com artes feita com materiais recicláveis?

A imaginação é um rico material, e Rosely propõe brincar de faz de conta. Faz de conta que eu sou um gato, faz de conta que eu sou uma cadeira, que estamos na lua…

Psicóloga que é, não poderia deixar de lembrar a oportunidade para as conversas em família, o que pode virar pura diversão, e, para isso, ela sugere aqueles livros caixinhas, que trazem cards com propostas para o papo.

No “Puxa Conversa Família” (Matrix), são cem opções, de profundas e sentimentais às mais descontraídas: “Qual o conselho mais importante que você recebeu do seu pai ou de sua mãe?”, “Se nossa família fosse uma música, qual seria?”, “Qual foi sua pior travessura?” e por aí vai.

Rosely afirma que não liberaria videogame e celular por completo e convida a se pensar em usos mais criativos dos eletrônicos. “Pode-se planejar um campeonato de videogame entre pais e filhos com direito a troféu no final”, dá a ideia.

Iniciativas inspiradoras brotam nas redes sociais, e uma das mensagens que circulam nestes dias entre grupos de pais e mães no WhatsApp apresenta contadores de histórias com sessões diárias online ao vivo e em diferentes horários. A lista traz o Instagram de Fafa Conta, Mãe que lê, Carol Levy, Marina Bastos e Camila Genaro.

Nesses mesmos canais, há links para vídeos de histórias já contadas por eles. O de Fafa Conta, por exemplo, divide-as por categorias, como histórias sobre diversidade, de Carnaval, para rir, se emocionar. Tem também contações de livros sobre o medo, como “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque, “O Grúfalo”, de Julia Donaldson, e “Histórias para Sacudir o Esqueleto”, de Angela Lago.

Nada melhor do que dar cores aos monstros e brincar com eles para amansá-los. É hora, então, de colocar a biblioteca das crianças em ação, selecionando os livros com elas, inventando competição de leitura, apresentações de teatro e lendo para os filhos como nunca.
Um rico projeto para dar graça a estes dias é o Mapa do Brincar, da Folha de S.Paulo, site que reúne 750 brincadeiras de todas as regiões do país, apontadas por sugestões de mais de 10 mil crianças com as mais variadas vivências, das maiores capitais às florestas.

Há diversas categorias a se escolher, como brincadeiras de roda, com elástico, com corda e de se esconder. Há vídeos e áudios com as crianças cantando, brincando e ensinando a brincar. Dá para conhecer novas brincadeiras, lembrar as que sabíamos mas estavam esquecidas e ainda aprender como as crianças brasileiras de diferentes lugares se divertem.

Por falar em aprender, além de se tornarem monitores ou amiguinhos dos filhos na hora de brincar, os pais também terão de fazer o papel de professor por um tempo, ajudando-os a estudar especialmente no caso das escolas que enviarem roteiros de estudo e lições. Rosely Sayão não acredita que se deva estabelecer uma rotina rígida neste momento, apenas tentar priorizar os deveres antes da brincadeira.

E vamos tirar da manga a maior dose de tolerância possível para contagiar as crianças com o que temos de melhor. Quem sabe é hora de aprender a brincar e muito mais.