Musical ‘O Rei Leão’, da Broadway, volta ao Brasil com sina de salva-vidas


Por Folhapress Publicado 19/07/2023
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Reprodução: Divulgação

Antes de estrear, em 2013, “O Rei Leão” era visto como uma espécie de bote salva-vidas no qual a produtora Time For Fun poderia se abrigar caso sua aposta de risco, o musical “A Família Addams”, fracassasse na bilheteria. Isso porque os Addams chegaram ao Brasil com a má fama de não ter agradado ao mercado americano e ter causado prejuízo na Broadway.


A ideia era a de que, se a montagem protagonizada por Marisa Orth e Daniel Boaventura repetisse o débito no Brasil, “O Rei Leão” seria a forma de repor os danos e ainda alcançar algum lucro. Mas, mais do que um sucesso, “A Família Addams” foi um fenômeno de público e crítica, inspirando uma nova montagem que repetiu o sucesso dez anos depois.


Assim, o clássico da Disney consagrou o sucesso comercial da produtora, que seguiu voando em céu de brigadeiro com obras como “Wicked”, “Les Misérables” e “O Fantasma da Ópera”.


Agora, o cenário é diferente. Com estreia nesta quinta-feira (20), “O Rei Leão” volta a seu papel de bote salva-vidas após “Anastácia”, outra aposta que não roçou a explosão de “A Família Addams”, embora tenha pagado seus custos com a bilheteria.


“Toda aposta é um risco. Mesmo em um espetáculo consagrado como ‘O Rei Leão’ nos deixa apreensivos”, diz a produtora Almali Zraik, que, ao lado do presidente da T4F, Fernando Altério, escolheu o clássico da Disney para marcar de vez a volta da empresa ao ramo dos musicais após uma pausa durante a pandemia.


Para Zraik, “O Rei Leão” deve encontrar um público sedento por uma história familiar que trata de sonhos, perseverança e o papel da amizade. A produtora, contudo, diz não pensar no outro lado da obra, que, inspirada em “Hamlet”, retrata temas políticos caros ao Brasil, como um golpe de estado, o abuso de poder e a briga por um reinado. “Tem isso, mas não acho que seja aí que o público foque”, diz ela, entre risos.


Na história, o jovem leão Simba foge do reino onde foi criado após se sentir culpado pela morte do pai, o rei Mufasa. O filhote vive em exílio e sob os cuidados de dois amigos, Timão e Pumba, que o encorajam a retornar à sua terra. Ao descobrir que a morte do pai foi um plano de seu tio, Scar, para ascender ao trono, Simba luta por seu lugar de direito.


“É claro que a questão política é latente e todos estamos a par disso, mas agora acredito que o público brasileiro esteja entusiasmado com a chance de ver mais uma vez uma história que é clássica e que fala a tantos corações”, afirma Anthony Lyn, diretor associado da produção.


O espetáculo conta com nomes como Jennifer Nascimento, na pele da leoa Nala, Drayson Menezzes como Mufasa e Marcel Octavio como Scar, além de um elenco de 53 atores, entre eles 12 sul-africanos.


O papel de Simba será de Thales Cesar, que calça os sapatos deixados por Tiago Barbosa, intérprete original que, após a temporada brasileira, protagonizou o musical na Espanha, onde construiu uma carreira de prestígio dentro do teatro musical espanhol.


Lyn e Zraik afirmam que cada espetáculo tem uma identidade e que o que importa é a relação que o público vai estabelecer com esta montagem e seu elenco. Nas redes sociais, “O Rei Leão” tem chamado atenção também por causa dos valores dos ingressos.


O bilhete mais caro sai por R$ 550, podendo ultrapassar os R$ 600 caso a compra seja feita pela internet, por conta da taxa de conveniência aplicada pelo site da Tickets For Fun. O valor, diz a produtora, é necessário pelo fato de o espetáculo não contar com nenhum incentivo governamental.


Todo o patrocínio de “O Rei Leão” vem da T4F e de seus parceiros que aceitaram a empreitada. O mesmo aconteceu com “Anastácia”, que conseguiu captar parte do valor necessário ainda na metade da temporada, o que proporcionou a política de ingressos populares.


O atraso para aprovações de projetos na Lei Rouanet durante o governo de Jair Bolsonaro criou uma demanda represada que deve desaguar ao longo deste ano sob a gestão de Margareth Menezes no Ministério da Cultura.


Zraik, entretanto, diz que a produtora preferiu investir no risco e tentar recuperar o investimento na bilheteria com uma temporada que vai de quarta-feira a domingo.


“Mesmo assim, estamos praticando ingressos que não são tão diferentes de outras produções incentivadas. Estamos dentro do mercado”, diz, ao se referir a montagens como a de “Wicked”, na qual o ingresso mais caro sai por R$ 400.