14 de julho de 2020

Bruna Marquezine vive sua 1ª protagonista no cinema em drama sensorial que mescla arte e nudez

Na produção, Ophelia tem uma relação forte com a fotografia, assim como seu pai, que está em Ubatuba justamente expondo seu trabalho como fotógrafo.


Por Folhapress Publicado 04/03/2020
Reprodução (Instagram)

Em “Hamlet”, história de William Shakespeare, Ophelia é uma jovem da alta nobreza que, por obra do destino, morre afogada. Mas encarnada em Bruna Marquezine, ela é uma mulher de 21 anos, sentimental e por vezes inconsequente, que vai nadando de Santos a Ubatuba, no litoral paulista, a fim de encontrar o pai alemão que ela nunca pôde conhecer.

A premissa é do filme “Vou Nadar Até Você”, que estreia nesta quinta-feira (5), e foi escrita e dirigida por Klaus Mitteldorf, que diz que a principal ideia do novo longa é fazer refletir sobre a passagem da era analógica para a digital.

Na produção, Ophelia tem uma relação forte com a fotografia, assim como seu pai, que está em Ubatuba justamente expondo seu trabalho como fotógrafo. Ela, então, escreve uma carta a ele para dizer que irá encontrá-lo. Ele, por sua vez, manda um de seus ajudantes persegui-la sem ser notado. 

“A ideia era mostrar essa passagem de um mundo para o outro. Os personagens têm resquícios dessa época analógica -a Ophelia, por exemplo, escreve cartas e fotografa. Ela é idealista, e vive de coisas do passado que aprendeu com a mãe dela”, diz o diretor estreante no mundo da ficção, que também é fotógrafo, em entrevista ao F5.

Ela é uma menina, de fato, nada óbvia”, completa Marquezine, que vive sua primeira protagonista em um longa-metragem -antes disso, ela havia feito somente participações pontuais em seis filmes, como “Xuxa em o Mistério da Feiurinha” (2009). “Ela não escolhe a forma mais convencional de ir de um ponto ao outro, e isso diz muito sobre ela. Essa não é só uma jornada para encontrar um pai, mas de auto descobrimento.”

Desde que aceitou fazer o papel até o início das gravações, em 2016, a atriz teve um ano para namorar bastante sua personagem, que ela descreve como “lúdica e corajosa”. “Tive um tempo para ficar imaginando a Ophelia, viajando e juntando referências. Criei até uma pasta para ela”, conta.

O filme seria lançado em 2017, mas devido ao orçamento apertado e à grande quantidade de sequências na água, o que exigiu equipamentos mais sofisticados, retardou seu lançamento.

Os rios, mares e até banheiras cheias d’água são frequentes nas cenas do longa, que prioriza a fotografia e os sons frente à própria história. “As filmagens dentro da água eram desgastantes, mas prazerosas”, diz Marquezine, que enfrentou águas geladas e três semanas intensas de aulas de natação. Mesmo assim, a atriz usou dublê para a cena em que sua personagem salta de uma altura de 16 m da ponte de Santos.

“Ela é meio anfíbia. A água é o elemento no qual ela se sente em casa, que inspira ela e a faz ficar forte”, acrescenta Mitteldorf. Ao escrever a história em 2009, ele conta que escolheu o cenário da Rio-Santos por ter crescido fotografando o local que, por sua vez, é pouco explorado em produções audiovisuais, apesar de ter praias e áreas de Mata Atlântica que “rendem cenas de tirar o fôlego”.

Além das sequências na água, um aspecto bastante presente no filme é a nudez feminina, especialmente da protagonista. “Vou Nadar até Você” foi exibido no 47° Festival de Gramado, em 2019, e gerou certa controvérsia sobre a nudez de Marquezine. A atriz aparece despida em cenas em um lago e dentro de casa, como se tivesse se relacionando com a câmera. 

O diretor nega que tenha sensualizado a atriz, apesar dos frequentes questionamentos da mídia sobre isso, mas, sim, que “deixou uma mulher bonita” uma vez que a água tem um “lado mais poético”. “A água tem uma coisa de fluidez, de textura, que transforma as pessoas.”

O drama traz ainda Ondina Clais (que interpreta a mãe da Ophelia, Talia), o alemão Peter Ketnath (pai de Ophelia, Tedesco) -que atuou em “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), Fernando Alves Pinto (o “vilão da história” Smutter, cujo nome foi criado pelo próprio diretor) e uma participação especial de Dan Stulbach. 

“As pessoas querem ver a Bruna Marquezine pelo que ela é no mundo, mas na verdade ela assume o papel de uma Ophelia muito especial. O filme transmite uma linguagem completamente diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver normalmente”, diz Mitteldorf. “Ele tem uma parte sensorial muito grande. Ao assisti-lo, esqueça do mundo e tente ser levado pelos sentidos.”